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As 5 coisas que o Brasil ainda precisa melhorar se quiser ganhar a Copa do Mundo

(Brasil classificou com sobras nas eliminatórias, mas ainda tem pontos a melhorar ;Foto: RICARDO BOTELHO/LATINCONTENT/GETTY IMAGES)

Enquanto outros times da América do Sul ainda estão se digladiando para somar os pontos necessários para garantir a classificação à Copa do Mundo da Rússia, o Brasil acompanha tudo com um leve desdém. É até difícil lembrar que após um terço das eliminatórias, a equipe verde e amarela estava em 6º lugar na tabela, e com muito medo de não chegar vivo a 2018. Então, Tite assumiu a vaga de Dunga e o time, com praticamente o mesmo grupo de jogadores, mostrou a diferença que um treinador de qualidade pode fazer. 

Desde então, o Brasil disparou e deixou todos para trás, acumulando uma incrível sequência dos resultados e, além de tudo, jogando bem, com um jogo que em muitos momentos lembrou seus grandes esquadrões do passado.

Mas alcançar a linha de chegada tão cedo não dá prêmios a ninguém no futebol. O único objetivo das eliminatórias é conseguir a classificação, seja atropelando todo mundo ou conseguindo a vaga na bacia das almas contra a Nova Zelândia na repescagem. O verdadeiro trabalho duro ainda virá em 2018.

Até lá, quais são os problemas que o Brasil ainda precisa resolver para garantir que estará pronto na hora H, ou seja, em junho/julho do ano que vem, na Rússia

1. Não atingir o auge tão cedo

 

Alguns meses antes da última Copa do Mundo, o então técnico do Brasil, Luiz Felipe Scolari, era a confiança em pessoa.

"Já fizemos nossa parte. Encontramos o time", disse o treinador. A escalação que bateu a Espanha por 3 a 0 na final da Copa das Confederações de 2013 já estava fixada em sua mente como o time que iria ganhar a Copa do Mundo no ano seguinte.

Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Neymar e Fred.

Hoje, todos sabem o destino que essa escalação teve...

Olhando o retrospecto, fica claro que foi dada muita importância à Copa das Confederações. E a ideia de "cementar" um time titular um ano antes do Mundial foi outro erro feio.

É verdade que Tite precisa mostrar lealdade àqueles que estão bem sob seu comando até agora, mas também tem que promover competição por lugares entre os titulares. Dessa forma, ele conseguirá opções confiáveis em caso de lesões ou de jogadores que entrem em má fase.

Só assim ele evitará um auge-precoce e deixará os titulares absolutos sempre com a pulga atrás da orelha..

2. Lembrar que ainda não enfrentaram os melhores

 

Animados pelas ótimas performances desde que a seleção foi assumida por Tite, muitos na imprensa brasileira já proclamam o Brasil como grande favorito ao título em 2018. Isso parece prematuro, e até perigoso se o treinador também cair nessa "armadilha" - o que não parece ser seu caso.

As Copas do Mundo recentes demonstraram claramente a superioridade das equipes da oeste da Europa, que chegaram em cinco das últimas seis finais. Além disso, as atuais safras de muitos países sul-americanos, exceto o Brasil, são com certezas as piores em muito tempo.

Nenhum outro país da Conmebol deve estar muito feliz com a maneira como sua seleção está jogando no momento. O 2º colocado Uruguai, por exemplo, está virtualmente classificado, mas fez uma campanha cheia de altos e baixos, enquanto as outras vagas das eliminatórias sul-americanas ainda estão indefinidas.

Os verdadeiros testes para o Brasil, portanto, ainda estão por vir.

A equipe de Tite terá um teste em breve contra a Inglaterra, que não é no momento uma equipe top da Europa, mas será um adversário bastante interessante. E, em março, virá a esperada visita à Alemanha.

O Brasil, portanto, deve lembrar que, antes de se animar tanto, ainda precisa enfrentar competitivamente países como Alemanha, França, Espanha e Bélgica, estes sim os melhores times da Europa no momento.

3. Cobrir os espaços deixados pelos laterais

 

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As costas de seus laterais são os pontos mais vulneráveis do Brasil.

O ala direito Daniel Alves terá 35 anos na Copa do Mundo. E, apesar de toda a sua magnífica habilidade no ataque, ele nunca foi durante a carreira um grande exemplo de marcador - e, neste estágio da vida e carreira, é pouco provável que melhore nesse sentido.

No outro flanco, Tite finalmente conseguiu tirar de Marcelo tudo aquilo que se esperava do astro do Real Madrid com a camisa da seleção, mas ele é outro jogador que é muito melhor na frente do que atrás.

E mesmo nos melhores dias do Brasil nas eliminatórias, houve momentos em que os oponentes conseguiram explorar com perigo o espaço deixado nas costas dos laterais. Contra um time top da Europa, capaz de reter a posse de bola de maneira sólida no meio-campo, isto pode ser um grande problema para Tite e cia.

4. Controlar o emocional

 

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Apesar de todas as deficiências que o time do Brasil tinha na Copa do Mundo de 2014, o histórico 7 a 1 sofrido para a Alemanha na semifinal foi, mais do que tudo, um colapso emocional.

E a possibilidade da seleção brasileira perder a cabeça ainda existe - e foi inclusive demonstrada recentemente no péssimo primeiro tempo da equipe verde e amarela contra o Equador, em São Paulo, pelas eliminatórias.

O problema nesse dia foi Neymar, um jogador magnífico que parece estar pronto para arrebentar na Copa, mas que também possui uma tendência em sucumbir à petulância.

Contra os equatorianos, ele viveu um desses dias em que parece que seu objetivo é apenas fazer firulas e ficar arrumando faltas irrelevantes longe da área. Há um elemento de exibicionismo em seus "mergulhos" que frenquentemente irritam o adversários e deixam muitas partidas tensas sem qualquer necessidade. E, irritado pelas próprias faltas que ele tenta cavar, ou talvez porque muitas vezes os árbitros não as marcam, Neymar acaba entrando nesse clima sem necessidade.

Contra o Equador, ele levou um cartão amarelo bobo por uma falta feia. Incidentes como esse podem lhe tirar de um jogo importante de Copa do Mundo e prejudicar o Brasil na hora mais importante. Por isso, há uma necessidade enorme de que todos, mas principalmente Neymar, mantenham a compostura a todo momento.

5. Ter uma estrutura de liderança estabelecida

 
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Thiago Silva foi o capitão do Brasil na última Copa do Mundo. Não é preciso dizer que a escolha não fez sucesso...

Thiago não tem personalidade para fazer esse papel, e, de toda forma, agora nem é mais titular absoluto e luta por um lugar no 11 inicial de Tite.

Dunga, então, escolheu Neymar como capitão, mas, depois de um período, o camisa 10 deixou claro que não queria desempenhar esse papel.

Tite, então, ganhou um problema, para o qual arrumou uma excelente solução a curto-prazo: ele escolhe um capitão diferente por jogo. Isso se provou uma ótima estratégia de gestão de grupo e uma maneira de fazer cada jogador se sentir importante.

Mas está chegando a hora de fazer "a" escolha: a de quem será o capitão na Rússia. Principalmente porque caberá a este escolhido ser o homem que vai impôr ordem e acalmar a todos quando os possíveis descontroles emocionais ocorrerem no ano que vem, colocando o Brasil em posição de risco.

Ao longo da história, a seleção sempre ficou marcada por ter uma estrutura clara de liderança em campo, e Tite tem que trabalhar para que isso se repita com sua turma em 2018.


 

Tim Vickery é correspondente da BBC no Brasil cobre futebol sul-americano para o ESPN FC. O artigo original em inglês (Despite qualifying with ease, Brazil have areas to improve pre-World Cup) pode ser lido aqui

Fonte: ESPN

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